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Historial

Criação da Freguesia:

A Lei n° 1002, de 24 de Junho de 1920, desanexou o lugar da Póvoa da Isenta, da Freguesia de Almoster, tendo sido criada a Freguesia de Póvoa da Isenta.

A Freguesia de Póvoa da Isenta é uma das 28 que compõem o Concelho de Santarém, Situando-se a nove quilómetros da capital distrital, sede concelhia, ocupa uma área de 14,2 quilómetros quadrados e é composta por vários lugares (Póvoa da Isenta, Atalaia, Ponte do Celeiro e Vale de Moinhos), confrontando com as freguesias de Almoster, a norte e a poente, São Nicolau, a nascente, Vale de Santarém e Vila Chã de Ourique (concelho do Cartaxo), a sul.

As parcas referências documentais tornam complicada a tarefa de explicar o topónimo Póvoa da Isenta, uma vez que abundam as lendas e as histórias que são transmitidas, de geração em geração. Assim, tal como constata Vítor Alexandre, na obra Póvoa da Isenta - Economia de Subsistência numa Aldeia do Bairro de Santarém, há muitas versões para justificar esse topónimo, não se sabendo ao certo qual delas está correcta. A primeira hipótese diz que, em tempos, viveu na aldeia uma senhora idosa que, sempre que lhe vinham exigir o pagamento dos impostos, argumentava "Estou isenta!". Quando esta senhora faleceu, o lugar onde vivia terá passado a denominar-se Isenta. A tradição oral não explica, no entanto, o substantivo Póvoa.

A segunda versão encontrada por Vítor Alexandre defende que o topónimo da freguesia terá tido origem em "Povos Isentos", uma vez que os primeiros povoadores da zona, incluindo alguns malfeitores, refugiaram-se sob a protecção de um visconde para o qual trabalhavam, que os terá isentado da justiça real. Esta hipótese é reforçada com a informação de que o Visconde de Fonte-Boa terá dado algumas terras aos seus fiéis servidores, tendo-os isentado do pagamento de impostos. Outra hipótese apontada por Vítor Alexandre baseia-se num estudo de Albertino Henriques Barata ("Póvoa da Isenta Através dos Tempos"), publicado nas Notícias Históricas sobre o Concelho de Santarém (n.º 3, 1992, pp. 77 e 78), no qual se afirma o seguinte:

"Na sequência dos nossos habituais estudos falaremos sobre a freguesia de Póvoa da Isenta, situada na zona do Bairro. O seu primeiro nome, em tempos distantes, era apenas «Póvoa». O acréscimo das palavras «da Isenta» serviu, certamente, para a diferenciar da antiga Póvoa dos Galegos, nome este que, pelo Decreto n.º 10 681, de 7-4-1925, foi alterado para Póvoa de Santarém. Todavia, ainda se diz que o acréscimo das palavras «da Isenta» poderia ter resultado deste povoado ter sido isentado do pagamento de qualquer tributo".

Um recenseamento realizado em Portugal, no ano de 1527, faz referência aos lugares de Póvoa e de Val D' Orgo, enquanto que, em 1712, o Padre Carvalho alude a Póvoa, Isenta e Pimenteira, integrando-os na vigararia de Almoster. Tendo em conta estes dois documentos escritos, Vítor Alexandre, na obra anteriormente citada, conclui que "poderemos formular a hipótese de esta Póvoa ser o núcleo inicial da aldeia: o que viria a reforçar a convicção, existente nalguns dos seus habitantes, de que o lugar da Póvoa é muito antigo".

Acontecimentos históricos relevantes: Como acontecimento histórico relevante refere-se que as tropas liberais do comando do Marechal Saldanha estiveram acampadas na Freguesia, no sitio dos Pinheirinhos, sendo-lhes passada revista pelo Rei D. Pedro.

Em 1940, o Chefe do Governo, Professor António de Oliveira Salazar, esteve presente em manobras militares que decorreram na área da actual Quinta da Centieira.

Heráldica

No ano de 2001 é criado o brasão representativo da freguesia do qual surge a Citação da Imprensa que visa descreve-lo:

População

A Freguesia de Póvoa da Isenta detém, de acordo com os Censos 2001, 1179 residentes, dos quais 959 são eleitores recenseados.

Cerca de 13% dos habitantes desta freguesia são crianças e jovens, correspondendo 60% à percentagem de adultos em idade activa. Relativamente aos idosos, representam 27% da população local.

Os primeiros dados oficiais relativos à população de Póvoa da Isenta datam do recenseamento de 1920, no qual se verifica o número de 1024 habitantes. O crescimento populacional da freguesia atingiu o seu ponto mais elevado em 1950 e em 1981, com 1185 habitantes.

Vítor Alexandre, na obra "Póvoa da Isenta - Economia de Subsistência numa Aldeia do Bairro de Santarém", conclui que "a evolução da população nos últimos 71 anos traduz, embora com algumas variações, uma certa estabilidade, reflexo da inexistência de elementos catalizadores que possibilitem um desenvolvimento económico e a consequente fixação e crescimento da população".

Economia

Os habitantes desta simpática freguesia do concelho de Santarém dividem as suas actividades pelos três sectores de actividade.

No domínio do sector primário, nos dias de hoje, a agricultura, enquanto actividade principal, é praticamente inexistente, mas persistem as culturas do vinho, do trigo, da batata, do azeite e do milho, para consumo próprio. A pecuária está presente através de diversas explorações de gado ovino, bovino e suíno, subsistindo, de igual forma, a criação de animais para consumo familiar.

De salientar que, até à década de cinquenta do século XX, a agricultura (produção de trigo, azeite, vinho, milho, grão-de-bico e feijão) era o principal meio de sustento das gentes de Póvoa da Isenta, mas, tal como defende Vítor Alexandre, na obra "Póvoa da Isenta - Economia de Subsistência numa Aldeia do Bairro de Santarém, "A partir dos anos 60, mercê do desenvolvimento da construção civil e da implantação de oficinas de serralharia civil e mecânica automóvel, os homens foram atraídos para os centros urbanos, onde começava a haver procura de mão-de-obra".

O sector secundário está, nos dias de hoje, representado por pequenas indústrias de transformação de mármores e de serralharia.

No que diz respeito ao comércio e serviços, ocupam uma grande parte da população activa da freguesia, sendo o principal empregador a Estação Zootécnica Nacional (organismo da Administração Pública que se dedica à investigação agro-pecuária), localizada na Quinta da Fonte-Boa. As mercearias de índole tradicional e de exploração familiar, bem como outros estabelecimentos comerciais satisfazem as necessidades básicas das gentes locais.

No Mercado Diário da Freguesia, sito na Rua Tenente Coronel Salgueiro Maia, exemplar numa freguesia desta dimensão, funcionam dois talhos, uma padaria, duas peixarias e um mini-mercado, localizando-se nas suas imediações um quiosque (venda de jornais, revistas e utilidades) e uma Caixa Multibanco.

Na Freguesia existem ainda mercearias de carácter tradicional e exploração familiar, uma farmácia, uma loja de ferragens e drogarias e uma estação de abastecimento de combustíveis.

Turismo

Principais vias de acesso:

A Freguesia de Póvoa da Isenta, situa-se a 9 Km de Santarém, que é servida pela A1 e A15. Dão acesso à localidade as seguintes estradas:

Do lado do Cartaxo: EN 3 até Vale de Santarém, depois EM 516-2; EN 114-2, depois EM365.

Do lado de Santarém: EN 3 até à Ponte da Asseca, depois EM 516

Do lado de Rio Maior: EN 114, até ao "Entroncamento Espanhol"; EN 114-2, até ao cruzamento do "Noel"; EN 365 até à passagem superior da A 1; finalmente EM 516.

Locais de interesse:

Os locais de maior interesse turístico, são os miradouros naturais (Raposeira e Cemitério), donde se disfrutam soberbas vistas

Património natural:

uma das vistas da RaposeiraA situação geográfica privilegiada da Freguesia premeia os visitantes com magníficas vistas, principalmente na "Raposeira" e Cemitério. Nos seus vales e montes encontra-se ainda a flora característica mediterrânica, ilustrada pelas espécies arbóreas endémicas de carvalho cerquinho, de sobreiro e de azinheira. Para além destas, o pinheiro manso e bravo são igualmente espécies que emolduram os seus vales soalheiros. A vegetação arbustiva, das terras mais pobres, a "charneca", é igualmente exuberante, formando as inúmeras espécies uma cobertura vegetal onde, na Primavera, o tojo toma cambiantes de ouro e a marganiça, de escarlate, e o alecrim e a alfazema exalam os seus aromas inconfundíveis, que Garrett assim descreveu:

"Eram cinco da tarde, a calma declinava; montávamos a cavalo e cortámos(...); breve nos achámos em plena charneca.Bela e vasta planície!Desafogada dos raios de sol, como ela se desenha aí no horizonte tão suavemente! Que delicioso aroma selvagem que exalam estas plantas, acres e tenazes de vida, que cobrem e que resistem verdes e viçosas a um sol português de Julho!".

Almeida Garrett in "Viagens na Minha Terra", pag. 38

A fauna é caracterizada pela perdiz vermelha, o coelho, a raposa, o corvo, e diversas aves de rapina, e no Inverno espécies migradoras como o tordo, a bela galinhola, imortalizada por nas suas asas possuir duas penas ambicionadas, para serem utilizadas como pincéis, pelos pintores, são duas aves que deixam os rigores dos Invernos do Norte, para depois voarem milhares de quilómetros e virem refugiar-se nestas terras de frios mais brandos.

Património arquitectónico:

Até à década de setenta a aldeia esteve vocacionada para o sector agrícola sendo referidas como principais produções o trigo, o azeite, o vinho, o milho, grão-de-bico, fava e feijão. Face à sua vocação agrícola e implantação geográfica, numa zona de planalto onde a água era essencial, o seu património em termos de monumentos resume-se á igreja paroquial, de linhas modernas, inaugurada em 1963 pelo Cardeal Patriarca, António Cerejeira, e uma pequena capela, sita no Cemitério inaugurada na década de trinta (Séc. XX).

Alguns fontanários, o Mercado Diário e a Escola Primária, são obras públicas construídas a partir da década de setenta, excepção para a "Fonte Seca", "Fonte da Encosta" e "Vale de Videira", obras do final do século XIX, início do século XX, numa época em que o aproveitamento de todos os nascentes de água era essencial à vivência da população.

Na aldeia existem ainda muitas casas tradicionais e suas dependências agrícolas, construídas através da utilização do tufo calcário existente em abundância na região. Para além do tufo, eram ainda utilizados os adobes, blocos de argila moldados e secos ao sol, recorrendo a técnicas introduzidas pelos árabes. Estas casas, embora muitas em estado de degradação, possibilitam uma aprendizagem sobre as técnicas, as ferramentas e os materiais de construção utilizados numa época em que o homem estava mais próximo da natureza.

Destaquem-se ainda:

As ruínas de um moínho de vento e um forno de cal, relativamente conservado, embora de propriedade privada, que assumiam na época um papel importante como equipamentos de utilidade colectiva e que hoje são dificilmente encontrados na região.

A chamada Quinta da Centieira, com as suas dependências de tradição essencialmente agrícola e zona residencial, tipo solar, recentemente objecto de recuperação.

Fonte Quinta Escola Igreja
Fonte Vale de Videira
Quinta da Cintieira
Escola Primária
Igreja Paroquial

Tradições

Em tempos idos, e ainda hoje há quem o faça, as gentes desta região contavam, única e exclusivamente, com os seus conhecimentos para solucionar momentos de maior aflição. Assim, sempre que havia trovoada, fazia-se um pedido a Santa Bárbara:
Oração a Santa Bárbara

Santa Bárbara se levantou,
seu pé direito calçou.
Nossa Senhora encontrou,
e ela lhe perguntou:
«onde vais Bárbara?»
Vou espalhar as trovoadas,
que no céu estão armadas.
Espalha-as para bem longe:
onde não haja eira nem beira,
nem tranquinho de figueira,
nem pedra de sal,
nem coisa que lhe faça mal.

Em caso de doença, se ela fosse grave, faziam-se promessas aos Santos protectores, mas, se o problema fosse, por exemplo, uma simples constipação, fazia-se uma infusão com flor de borragem, cascas de amêndoa e figos secos e dava-se a beber ao doente.

Sempre que havia a desconfiança de que alguém estava a ser vítima de mal de inveja - esta tradição ainda hoje se mantém - era habitual benzer-se o Cobranto, dizendo-se a seguinte oração:

Eu te benzo o nome,
em nome de Deus Pai,
Deus Filho e Deus Espírito Santo. Amen.
(nome) da Virgem Maria,
cobranto tens.
Quem to deu, quem to daria?
Dois to deram, três to tirarão:
S. Pedro, S. Paulo e Baptista S. João.
(nome) se estás mal olhado, invejado,
praguejado, eu te esconjuro para
o mar coalhado.
Que elas contigo não tenham entrado,
nem com coisa tua.
Quem te inveje que desinveje
quem te acanhe que desencanhe
quem te enleie que desenleie.
Em nome de S. Silvestre,
tudo o que fazes para teu
bem se preste.
Alecrim sagrado, nascido no
mato sem ser semeado.
Assim como isso é verdade
todo o mal saia desta criatura
todo o mal saia desta criatura.

Enquanto rezava, a benzedeira fazia o sinal da cruz sobre um prato com água e, no final da oração, deixava cair cinco pingos de azeite sobre a água: se estes se espalhassem, existia cobranto, tendo que fazer-se a reza três vezes.

Estes conhecimentos foram sendo transmitidos de geração em geração e constituem, actualmente, uma importante marca das tradições da freguesia.

Eventos Tradicionais:
Recinto de Festas

Festa do Povo: Festejos, de tipo popular, promovidos por Comissões nomeadas para o efeito, em honra da padroeira Nossa Senhora da Conceição, com duração variável, sempre à volta do dia 15 de Agosto; efectua-se no Recinto de Festas, espaço de que a Freguesia se orgulha, construído propositadamente para o efeito;

Cavalhadas: com púcaras de barro, realizando-se em data variável, tradicionalmente na principal rua da Freguesia;

Enterro do Bacalhau: em data variável. Trata-se de uma representação teatral, em que são alvo de crítica o comportamento de pessoas e/ou factos que a tal dêem origem. Realiza-se normalmente em cima de carros/carroças engalanados para o efeito.

Comemorações do 25 de Abril: Promovidas pela Junta de Freguesia, realizam-se anualmente para comemorar aquela data. Do programa, destaca-se, pela sua importância, uma corrida de atletismo.

Jogos Tradicionais

Os jogos tradicionais, cuja prática, hoje, quase não existe, eram fundamentalmente praticados pelos jovens nos seus intervalos escolares, e nas férias; destes destacamos:

Jogo do pião - os tradicionais piões, comprados na mercearia do Serranho, já inexistente, eram jogados para um círculo, com cerca de 1 metro e meio de diâmetro com a finalidade de lá saírem depois de acabarem de dançar. Os que não conseguiam saír, eram então alvo de tentativas, da parte dos outros jogadores, de os atingirem com o bico dos seus piões.

Jogo do minhoto - Jogado por adultos e crianças, por altura do cepo do Natal. O "minhoto", normalmente um adulto, tentava apanhar os filhos da "galinha", que se agarravam às costas da mãe.

Jogo do galo - Jogado por altura dos santos populares. Enterrava-se o galo, deixando a cabeça de fora. Os jogadores, de olhos vendados, tentavam, munidos de um pau, acertar na cabeça do galo. Dada a sua violência, o galo passou a ser substituído por um ovo.

Jogo do belindre - Jogado com belindres (pequenas bolas, normalmente de vidro) esféricos, consistia em tentar colocar os mesmos numa pequena cova feita no chão.

Jogo do lenço Jogo da bota Jogo da barra Jogo das escondidas Jogo do eixo Jogo do bicho

Brinquedos Tradicionais:

Sendo uma Freguesia pobre, em que a maioria das famílias viviam com dificuldades económicas, também na área dos brinquedos se aproveitava o que a natureza dá para confecção dos brinquedos, sendo o seu fabrico artesanal.

Destes, destacamos:

As andas: fabricadas com varas de pinheiro e eucalipto, colhidas nos pinhais e eucaliptais, abundantes na Freguesia. Consistem em duas varas, de tamanho variável, onde é pregado uma espécie de degrau, a maior ou menor altura, onde se colocam os pés, conseguindo-se assim atingir uma maior altura e, depois de se adquirir uma determinada prática, dar passos muito grandes;

Diversos tipos de pequenos carros, utilizando as folhas das piteiras, caixas de graxa, cortiças e canas;

Espingardas simuladas, em cana;

Os chamados Estoques, com paus de sabugueiro, a que se tirava o miolo;

Apitos e instrumentos musicais: existe na natureza uma panóplia de materiais, passíveis de originar instrumentos musicais. um dos instrumentos que mais divertia as crianças eram os chamados "nunus", em que se aproveitava a membrana interior das canas, que emite um som característico quando o ar é soprado através dela.

As fisgas, para a caça aos pássaros, com forquetas de azinheira e elásticos de câmara de ar.

Os aros metálicos e respectiva gancheta.

Todos estes brinquedos estão hoje, e salvo raras excepções, totalmente desaparecidos.

Gastronomia

Não é muito rica a Freguesia, em termos gastronómicos tradicionais.

Destacamos, no entanto:

A Sopa de Cardos, feita para aproveitar os talos tenros desta planta rasteira, que existe em estado selvagem, e em grande quantidade nos terrenos de charneca;

A Lapardana, espécie de açorda, feita com pão amassado;

O Fricassé é uma espécie de guisado de bacalhau, típico da época das cavas da vinha, para aproveitar os alhos porros que se colhem nessa altura.

Ingredientes:
batatas
bacalhau
alho porro ou cebola
alho
azeite
colorau
pimenta
ovos
louro
salsa
Preparação:

Faz-se um refogado de alho porro (ou cebola), alho, louro, colorau, azeite q.b. E salsa picada. Cortam-se as batatas e o bacalhau aos quartos e juntam-se ao refogado. Põe-se água até tapar as batatas e o bacalhau. Quando estiver quase cozido, juntam-se os ovos.

As Toiras, torradas de pão caseiro, feitas nas brasas e esfregadas com alho e embebidas em azeite;

A Cachola, feita por altura das matanças de porco, consistia num guisado do figado e dos "bofes" (pulmões), em vinho tinto; na mesma altura, aproveitavam-se as miudezas orelhas, rins, etc. - que eram assados na brasa e temperados com alho e azeite.

Doçaria Tradicional

No domínio dos doces e sobremesas, na época natalícia, as mulheres da família juntam-se em redor de fogueiras para amassar, tender e fritar os Coscorões e as Filhós (também denominadas de Velhoses), que, apesar de se destinarem, essencialmente, ao consumo próprio, podem ser adquiridos em alguns estabelecimentos comerciais de Póvoa da Isenta.

Coscorões

Ingredientes:
500g de farinha
3 ovos
raspa de laranja
50g de açúcar
50g de manteiga
50g de aguardente
agua e sal q.b.
Preparação:

Misturar muito bem o açúcar com a manteiga. Adicionar os ovos, a aguardente, a farinha e o sal e amassar muito bem. Adicionar água se necessário e amassar até obter uma massa lisa e elástica. Deixar repousar durante, pelo menos, uma hora.

Tender rectângulos com o auxilio do rolo, numa espessura de 2 milímetros. Fazer três cortes no meio. Fritar em óleo e passar por açúcar e canela.

Filhós

Ingredientes:
300g de abóbora (cozida e escorrida)
650g de farinha
2 ovos
300g de massa de pão
75g de açúcar
raspa de 1 laranja
sumo de 1 laranja
1cl de aguardente
Preparação:

Misture a massa de pão, açúcar, abóbora e aguardente até se obter uma mistura homogénea. Adicione o sumo e a raspa de laranja, os ovos batidos e a farinha com a massa anterior. Amasse até a massa ficar mole e fofa. Deixe levedar até duplicar o seu volume. Frite em óleo quente bocados de massa que esticou, com as mãos molhadas.

Tradição Vinícola

Na Freguesia continuam a produzir-se vinhos tintos e brancos (em menor quantidade), de boa qualidade, nas encostas soalheiras.

Também a agua-pé - tradicionalmente para beber durante os trabalhos agrícolas - feita com a "pisa do pé".

Artesanato

Tendo a agricultura, até ao início da década de setenta, um peso considerável na estrutura económica da Freguesia, a actividade artesanal estava virada para o sector. Desta actividade, hoje praticamente inexistente, destacamos:

Os trabalhos em verga, colhida nas margens das linhas de água, para o fabrico de cestaria para as vindimas, colheita de frutas e transporte de alimentos;

Trabalhos em ferro, para o fabrico de ferramenta agrícolas - enxadas, pás, arados, etc. - e manutenção de veículos de transporte animal- carroças e carros de bois - pelos chamados "segeiros".

Dada a abundância de material argiloso, existiu também uma olaria, onde se fabricavam vasos, bilhas, alguidares e outros recipientes em barro.

Está ainda em laboração, já em regime industrial, uma fábrica de cerâmica.

Localização

A Freguesia de Póvoa da Isenta é uma das 28 que compõem o Concelho de Santarém, do mesmo Distrito, situando-se a 9 Km da sede do Concelho.

Tem uma área de 14.2 Km2, confrontando a Norte e Poente com a Freguesia de Almoster, a Nascente com a Freguesia de S. Nicolau, a Sul com as Freguesias de Vale de Santarém e Vila Chã de Ourique (Concelho do Cartaxo).

Compõem a Freguesia, além da sua sede, os lugares de Atalaia, Ponte do Celeiro e Vale de Moinhos.


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